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Copa do Mundo, com suas ruas enfeitadas, recupera vínculo com a cidade

  • Foto do escritor: Wagner de Alcântara Aragão
    Wagner de Alcântara Aragão
  • há 14 minutos
  • 3 min de leitura


Mobilização de comunidades para desenhar no asfalto, pintar calçadas e estender bandeirinhas nos postes resgata a ligação com o território, e o sentimento de pertencimento ao lugar

É verdade que o clima de Copa do Mundo demorou a pegar. Talvez porque o povo se sinta distante da seleção brasileira. Talvez também porque aumenta a percepção de que o torneio virou mais balcão de negócios do que encontro desportivo. Pesa ainda o fato de um dos países sedes, os Estados Unidos, estar protagonizando as maiores aberrações geopolíticas desde o pós-guerra, o que afeta o gosto pelo evento.

 

Demorou, mas a aura de Copa do Mundo chegou às ruas de cidades brasileiras. O tradicional hábito de pintar asfalto de verde e amarelo, desenhar nas calçadas, estender varais de bandeirinhas, enfim, de enfeitar o espaço público com motivos alusivos ao campeonato mundial de futebol e ao escrete canarinho e seus craques, esse hábito não se perdeu.

 

Vemos, nas últimas semanas, comunidades se reunindo de pincéis em punho. Adultos e crianças rabiscando o chão, contornando traços, dando cores ao piche e ao concreto. As ruas deixando de ser pátio para estacionar carros, ou apenas caminhos de passagem, para se tornarem pontos de encontro e de convivência.

 

As obras de arte a céu aberto viram atração e são exibidas e apresentadas com orgulho pelos seus artistas anônimos.

 

Em torno de uma dessas obras, na subida do Morro do Marapé, em Santos, litoral de São Paulo, moradores locais e de outros bairros, profissionais de veículos de imprensa e curiosos em geral se aproximam para conferir de perto, fotografar – até imagens com drones foram captadas, e viralizaram pela internet.

 

“Pode chegar, pode ficar à vontade”, recebe alguém. “As linhas estão frescas, mas o restante já está com a tinta seca, pode entrar”, convida outra pessoa. “Marca a gente na postagem”, pede um terceiro, sabedor de que em breve registros ali feitos estarão nas redes sociais digitais.

 

Crianças indo e vindo da escola se divertem no percurso. Na avenida ao pé do morro, movimentada no pico do fim da tarde e início da noite, automóveis diminuem a velocidade, indicando que seus condutores dão um tempo na pressa para apreciar a decoração que serpenteia aquela subida.

 

A bandeira do Brasil, estrelas fazendo menção às conquistas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, uma caricatura do camisa 10 Neymar levantando a taça e outros elementos alegóricos em plena via pública não deixam dúvidas: é possível resgatar a ligação com o território, e o sentimento de pertencimento ao lugar.

 

A Copa do Mundo de 2026 ocorre de 11 de junho a 19 de julho. Tem três países sedes: além dos Estados Unidos, recebem o evento o México e o Canadá. Participam do torneio 48 seleções, um aumento de 50% em relação às últimas edições. A ampliação atende mais a interesses econômicos e geopolíticos, do que desportivos.

 

O Brasil está no Grupo C, com Haiti, Marrocos e Escócia. Na primeira fase, joga em 13 de junho, contra Marrocos; 19 de junho, contra Haiti; e 24 de junho, contra Escócia. Os três primeiros se classificam para a fase seguinte (16-avos de final).

 

França, Espanha, Argentina e Portugal são as seleções apontadas como favoritas. Mas, pela tradição, Brasil, Alemanha e Inglaterra não podem ser desconsideradas.

 

Wagner de Alcântara Aragão é jornalista e professor. Mestre em estudos de linguagens. Licenciado em geografia. Bacharel em comunicação. Mantém e edita a Rede Macuco.

  

Imagem em destaque: decoração na subida do Morro do Marapé, em Santos. Foto: Wagner de Alcântara Aragão


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