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O verão reacende o alerta: precisamos de nova relação entre árvores e cidades

  • Foto do escritor: Wagner de Alcântara Aragão
    Wagner de Alcântara Aragão
  • 30 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Arborização que inclua bairros de periferia e manejo adequado da vegetação garantem zonas urbanas mais saudáveis; governo lança plano nacional

O verão nem chegou ainda, mas seus efeitos – altas temperaturas, umidade, fortes chuvas – já são sentidos. Essas condições climáticas colocam, nas zonas urbanas, a arborização na agenda. Mais que isso: lançam luz sobre o desafio de estabelecermos uma nova relação entre árvores e cidades.

 

De um lado, temos a urgente necessidade de ampliarmos as áreas verdes. De outro, que essa distribuição seja equânime entre centro e periferia. Ainda, que haja manejo adequado, para mitigar riscos de quedas e consequentes acidentes em praças, ruas e avenidas.

 

Em novembro último, na 30ª Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, o governo federal lançou o Plano Nacional de Arborização Urbana, denominado Planau. O projeto traz metas para serem alcançadas até 2045.

 

Dentre elas, atingir 100% dos municípios brasileiros que disponham “de instrumento de planejamento para a arborização urbana”. Ou seja, será preciso que cobremos, localmente, nossas administrações municipais, para que, caso não tenham, elaborem tal planejamento.

 

Outra meta é assegurar que 65% da população brasileira que vive nas cidades more em um local com três ou mais árvores no entorno. Serão 40 milhões de pessoas a mais, segundo a publicação que apresenta o Planau. Hoje, diz o texto, menos da metade (45,5%) da população urbana tem esse privilégio.

 

O plano, liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, lista os benefícios da arborização urbana. Na pele, literalmente, sentimos alguns deles: frescor e sombra, nos dias mais quentes. Mas há outros, como melhora das condições do ar, diminuição da poluição sonora e da poluição visual e paisagens mais agradáveis, por exemplo.

 

A imprescindibilidade de manejo apropriado é evidenciada na publicação que resume o Planau. Há, inclusive, normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para isso. O que vemos nas cidades, porém, é muita deficiência nesse manejo.

 

Exemplares carecendo de podas, outros dominados por ervas daninhas e espécies inadequadas comprometem a sobrevivência das árvores e a convivência entre vida urbana e vida vegetal. As fortes ventanias em cidades do Sul e do Sudeste agora em dezembro ocasionaram quedas, morte e danos em infraestrutura, como fornecimento de energia e água.

 

Por fim, fundamental reiterar o alerta para que a arborização não seja exclusividade de bairros centrais, de classe média.

 

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no começo deste mês revela que em favelas e comunidades urbanas do Brasil, quase 65% dos moradores vivem em vias sem árvores. O dado é do “Censo Demográfico 2022 - Favelas e comunidades urbanas: características urbanísticas do entorno dos domicílios”.

 

O problema acomete ainda mais a população negra. “Entre os moradores que se declaravam de cor ou raça preta, 68% viviam em trechos sem árvores”, informa o IBGE.

 

 

 

Wagner de Alcântara Aragão é jornalista e professor. Mestre em estudos de linguagens. Licenciado em geografia. Bacharel em comunicação. Mantém e edita a Rede Macuco.


Crédito da foto da página inicial: Rovena Rosa/ Agência Brasil (árvore caída depois de temporal e vento forte em São Paulo, em 10 de dezembro de 2025).

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